[Resenha] O Que Me Faz Pular

21 janeiro 2015
Autor: Naoki Higashida
Editora: Intrínseca
Páginas: 190
Classificação: 
Sinopse: Naoki Higashida sofre de autismo severo. Com grande dificuldade de se comunicar verbalmente, o jovem aprendeu a se expressar apontando as letras em uma cartela de papelão, e, aos treze anos, realizou um feito extraordinário: escreveu um livro. Delicado, poético e profundamente íntimo, O que me faz pular traz uma nova luz para entendermos a mente autista. O jovem explica o comportamento muitas vezes desconcertante das pessoas com autismo e compartilha conosco suas percepções de tempo, vida, beleza e natureza, apresentadas em um relato e um conto inesquecível.
Já estava há um tempo querendo ler esse livro só no início desse ano que finalmente tirei ele da minha lista de desejados e comprei. E pra isso quebrei a minha promessa de não comprar livros antes de terminar os que tenho. Um pequeno deslize hihi. Quem nunca? 


Naoki teve seu primeiro livro publicado quando ainda estava no ensino fundamental, mas o que diferencia ele de outros jovens escritores  é que ele sofre de autismo severo, uma doença que torna para ele e as pessoas que o tem a comunicação verbal uma barreira quase intransponível. 

Por fora Naoki parece com uma criança "normal" como ele costuma ouvir das pessoas de fora, tudo para diferenciar ele e sua condição das outras não autistas. A doença faz com que na maioria das vezes ele não seja compreendido da forma correta, especialmente quando ele sofre de ataques incontroláveis como movimentar-se freneticamente, sair correndo de um local sem motivo aparente ou  até mesmo a repetição de tarefas e frases que não fazem sentido para quem o ouve.

O livro escrito por ele ao meu ver não busca trazer  a explicação da doença -até por que muitos médicos ainda não a tem- mas ele vem tão singelamente e de um jeito delicado explicar a sua condição e esclarecer alguns por quês que muitas pessoas que convivem com autistas começaram a se fazer. O que me faz pular é feito de diversas dessas perguntas que são respondidas por Naoki que são tão claras quanto nenhum livro médico e descritivo poderia ser ao tentar falar sobre o autismo.

Já convivi com uma pessoa autista de perto e quando li o livro, vi que eles infelizmente por falta de conhecimento são incompreendidos. Sempre quis saber o por que geralmente os autistas ficavam tão isolados e calados, andavam de cabeça baixa e tinham certos mantras particulares a seguir. Não queria desvendar suas mentes, apenas interagir. E o autor trouxe luz a essas e tantas outras perguntas.
"Veja bem, para nós o autismo é normal, então não temos como saber o que os outros chamam de "normal". Porém a partir do momento em que aprendemos a nos amar, não sei bem se faz diferença termos autismo ou não."
Emocionante. A cada relato um pedido de desculpas dizendo  que nunca quis causar transtorno ou sofrimento para as pessoas a sua volta, toda vez que cometia um deslize mesmo sem saber. E por vezes um apelo pedindo para que as pessoas compreendam a condição dos autistas e que o tratem de maneira carinhosa mesmo quando não entendem as suas motivações. Uma pessoas como Naoki não pode ser vista como apática, tem amor em suas palavras ao mostrar tão simplesmente as lutas diárias e constantes que impõe barreiras grandes como muralhas para crianças como ele. Como dificuldade de achar as palavras certas para se expressar; para ele é um exercício que para nós seria como ter a perspicácia de achar  uma bolinha preta em meio a centenas coloridas, tornando assim a comunicação inviável e quase impossível. Ou ter que correr sem uma motivação aparente pois seu corpo o "obriga" a faze-lo e em momentos como esse a sua mente não controla  seus movimentos.
"Mas, por favor, façam o que fizerem, não desistam de nós. Precisamos de sua ajuda."
Um talento que para mim veio de um lugar inesperado depois de conhecer suas dificuldades. Mas em momento nenhum o jovem autor demonstra um pedido de pena e sim compaixão de quem lê o seu livro. Criativo e que me surpreendeu com o seu conto no final intitulado Estou Bem Aqui, que finaliza mostrando que através das palavras ele se mostrou (ou melhor deixou ser mostrado)um ser humano tão inspirador que muitos de nós -colocados na caixinha dos "normais"- deveríamos ser. Assim como Naoki. O que me fez pensar: o que me motiva?  O QUE ME FAZ PULAR.







"Não conseguir falar significa não compartilhar o que a gente sente e pensa. É como ser um boneco que passa a vida toda em isolamento, sem sonhos ou esperanças."



Thamires Vicente
Thamires Vicente, carioca de 22 anos. "PALAVRAS são capazes de causar grandes sofrimentos e por vezes remediá-los"
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12 comentários:

  1. Oii Suzane, tudo bem?
    Tenho curiosidade em conversar com uma pessoa autista, vi uma vez na globo, o programa da Fátima, um rapaz autista que pintava quadro, achei incrível, mesmo ele falar que errou as cores, ficou maravilhoso o talento dele, o livro me deixou curiosa para ler, saber mais sobre o mundo de Naoki, adorei a resenha e as fotos lindas <3
    Espero sua visita em Doce Literário *-*
    http://www.doceliterario.com/

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    1. Oi Amanda! Para quem se interessa em entender um pouquinho deles o livro é encantador, mas por vezes é um tanto triste ao saber que eles são oprimidos por estas dificuldades tão grandes no seu dia-a-dia.
      Percebi que as pessoas com autismo geralmente são muuito boas em uma certa coisa, como: aprender facilmente outro idioma, pintar e ao ler. Vejo que com certeza o talento de Naoki é escrever.

      Boa leitura.

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  2. Olá, Thamires! Que resenha bacana!
    Sinto que chorarei muito emocionado com esse livro. Parece de uma delicadeza maravilhosa. Nada melhor que ler algo escrito por alguém que entende do assunto. Acredito que é um livro que todos deveriam ler, até porque o preconceito com autistas ainda é muito grande e, imagino, o quão difícil deve ser para eles lidar com isso.
    Não sabia da existência desse livro e agora quero ler. Vou quebrar minha promessa de não comprar mais livros antes de ler os que tenho aqui.
    Lindo blog, estão de parabéns!

    Bjão,
    Diego França.

    Blog Vida e Letras
    #Resenha de ENCONTROS NO PARQUE, Hilary Boyd - http://blogvidaeletras.blogspot.com

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    1. Diego, então somos dois quebradores de promessa! hahah
      Realmente me tocou bastante. Ler esse livro faz você se colocar um pouco no lugar do outro, sabe ? Espero que seja uma leitura agradável e reflexiva para você assim como foi para mim. Não esqueça de comentar o que achou do livro com a gente depois de lê-lo.

      Obrigada por participar.
      Abraços.

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  3. Li esse livro a dois anos atrás e é realmente maravilhoso saber o que realmente passa uma pessoa que nasce com autismo sem ficar lendo livros diádicos sobre a doença.

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    1. Como eu disse ao acabar de lê-lo Camyli: um livro não apenas sobre o autismo, mas sim o que podemos aprender com ele.

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  4. Nunca tinha visto esse livro e fiquei bem interessada na história. Gostei da sua resenha. s2 bjs http://cantinhodacarolll.blogspot.com.br/2015/01/o-desperta-do-dragao.html

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    1. Que bom que se interessou, espero pela sua resposta depois de lê-lo para saber o que achou.
      Boa leitura.

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  5. Oi Thamires! ^^
    Faz um tempo que quero ler esse Livro, estou esudando para ser Professora, nesse ano realizo o meu Estágio, durante um dos meus Pré-estágios tive um aluno Autista e a maneira como eu tratava ele era totalmente diferente das dos outros alunos9pois isso era necessário), e muitas vezes eu tinha que proteger ele dos alunos que queriam machucar ele! Os Pais dele não aceitavam que ele tinha Autismo e isso piorava tudo, pois o tratamento que ele deveria ter não ocorria e aquilo me chatiava muito sabe!?
    Saber que ele poderia melhorar se os Pais aceitassem e tratassem ele da maneira adequada!
    Foi bem complicado por causa da turma que não aceitava ele! Mas ele é uma Menino maravilhoso!

    Beijos e até logo!
    https://worldofmakebelieveblog.wordpress.com/

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    1. Geralmente ou podemos dizer -sempre!- as minorias são tratadas dessa forma, infelizmente. Acredito que o entendimento ou o simples fato de se importar em estar lá pela pessoa -assim como você fez- já é uma diferença e grande. Cada um tem a sua peculiaridade e já somos taxados por isso, imagina o quão difícil é para uma pessoa em uma situação como essa -UMA CRIANÇA- e sem apoio algum ?

      Amanda espero que você seja uma professa inspiradora e que possa influenciar os seus futuros alunos com a sua atitude.
      Que você possa aprender e ensinar muito no seu estágio.

      Obrigada por compartilhar a sua experiência.
      Grande abraço!

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  6. Graças a vocês duas eu já tenho minha listinha de livros que irei comprar na bienal, e este está incluído!

    Parabéns pelo maravilhoso blog, que continuem assim <3
    ~Hime Mei
    http://www.pancakesforporings.blogspot.com.br/

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    1. Oow muito obrigada. O seu comentário tocou nosso coraçãozinho. Estaremos lá na bienal com a expectativa lá em cima para comprar vários livros. Que bom que os post foram úteis para você.
      Boas compras na bienal, divirta-se muito e conte para gente como foi.
      Beijos ;)

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