[Resenha] Memórias de uma gueixa - Arthur Golden

28 outubro 2015
Memórias de Uma Gueixa
Editora: Arqueiro
Páginas: 448
Classificação: 
Sinopse: Olhos cinza-azulados. Muita água em sua personalidade, é o que diz a tradição japonesa. A água que sempre encontra fendas onde se infiltrar, cujo destino não pode ser detido. Assim é Sayuri, uma das gueixas mais famosas de Gion, o principal distrito dessa arte milenar em Kioto. Com um olhar, ela é capaz de seduzir. Com uma dança, ela deixa os homens a seus pés. O que ninguém sabe é que, por trás da gueixa de sucesso, há um passado de perdas e desilusões de uma mulher que, desde o dia em que o pai a vendeu como escrava, fez cada uma de suas escolhas motivada pelo amor ao único homem que lhe estendeu a mão. Neste livro acompanhamos sua transformação enquanto ela deixa para trás a infância no vilarejo pobre e aprende a rigorosa arte de ser uma gueixa: dança e música, quimonos e maquiagens; como servir o chá de modo a revelar apenas um vislumbre da parte interna do pulso; como sobreviver num mundo onde o que conta são as aparências, onde a virgindade de uma menina é leiloada, onde o amor é considerado uma ilusão. Já idosa, vivendo nos Estados Unidos, ela narra suas memórias com a sabedoria de quem teve uma vida longa e o lirismo de quem soube encontrar nela seu lado mais doce. Neste relato único, que reúne romance, erotismo e, muitas vezes, a dura realidade, Arthur Golden desenvolve uma escrita refinada e dá voz a uma personagem instigante e humana que conquistou milhões de leitores em todo o mundo.
A tempos queria ler esse livro, muito tempo mesmo. Até que a Arqueiro relançou com essa nova capa e acabei vendo aí a oportunidade de finalmente lê-lo. Ah, e sobre a nova capa, é como se ela fosse aveludada, realmente linda.

Um homem mudou toda a sua vida. Um homem de negócios que Sayuri tinha verdadeira adoração desde que o vira pela primeira vez. Na sua tamanha inocência de criança, depositou as suas esperanças nele. Ele a levou junto de sua irmã para longe do que restava de sua família com a proposta de salva-la e tudo o que fez foi destruir. Sua infância foi perdida, inocência e a partir do momento que foi tirada de casa conheceu as piores facetas dos seres humanos.

Nesse mundo de gueixas onde se exalta a beleza da face, dos movimentos delicados e da forma suave de se falar e se portar é difícil de acreditar em todas as coisas ruins e feias por trás de tudo isso. Desde o leilão da virgindade de uma criança e até uma surra por ter feito algo errado que chega a deslocar o quadril de uma delas.

Nesse tipo de cenário, ser uma gueixa famosa e conhecida pode até ter os seus privilégios: como participar de jantares refinados com presidentes de grandes companhias, ser requisita para diversas festas, ganhar presentes caros e ter a admiração e inveja das outras aprendizes de gueixa. Mas poucas meninas que são iniciadas conseguem chegar a esse patamar. A pequena Sayuri fora uma dessas de sorte.

Sorte ou maldição? Essa é uma pergunta incessante feita pelo leitor. Todos os percalços que ela enfrentou durante sua vida desde que deu adeus ao seu vilarejo de Hiroído foi uma sucessão de desgraças. Mas que escolha ela teria? Até mesmo tivera a tola ideia de fugir e apanhou até quase não andar, até o seu nome teve que deixar para trás e abafar as suas próprias lembranças.
A narração de Sayuri é leve e faz todo o sentido uma gueixa ter tamanho talento, afinal de contas em sua profissão ela precisa entreter os homens com a sua conversa e doçura. Cheio de detalhes que facilita a visualização até mesmo dos artefatos mais difíceis de se imaginar, a história contínua e com um drama denso faz com que você se interesse pela história dela e se deixe levar pela sua narrativa. Com a paciência de um ouvinte que em certo momento desiste de esperar pelo melhor e apenas aprecia as suas palavras e a sua história.
Memórias de um Gueixa mostra que nem todas memórias são doces mas todas são marcadas tão profundamente em suas mentes que apenas um livro seria capaz de guarda-las.





Thamires Vicente
Thamires Vicente, carioca de 22 anos. "PALAVRAS são capazes de causar grandes sofrimentos e por vezes remediá-los"
0 Comentários | BLOGGER
Comentários | FACEBOOK

0 comentários:

Postar um comentário

 
© Memórias de uma leitora, VERSION: 01 - BLUE FLOREST - janeiro/2016. Todos os direitos reservados.
Criado por: Maidy Lacerda
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo