[Resenha] Cranford - Elizabeth Gaskell

11 maio 2016
Editora: Peadrazul
Gênero: Romance
Páginas: 216
Classificação: 
Sinopse: Cranford é um dos romances mais conhecidos da escritora inglesa do século XIX Elizabeth Gaskell. Foi publicado pela primeira vez, em 1851, na Inglaterra, depois de Mary Barton, em 1848, como uma série na revista editada por Charles Dickens e, agora, pela primeira vez no Brasil. A história se passa na fictícia Cranford, uma cidade inglesa interiorana, em meados do século XIX, quase exclusivamente habitada por mulheres. Narrado em primeira pessoa por Mary Smith, uma visitante assídua da localidade, o livro conta as aventuras de Miss Matty e Miss Deborah, duas irmãs solteironas que se esforçam para viver com dignidade em circunstâncias de escassez. É um relato pontuado por ironia, mas que dá uma visão bastante completa do cotidiano das mulheres inglesas da classe média no século XIX. É uma leitura bastante agradável para quem deseja conhecer melhor a sociedade da época vitoriana. Solidamente baseado na tradição da ficção realista, Cranford foi inspirado na vida da própria autora e no pequeno vilarejo de Knutsford Cheshire, onde ela foi criada por sua tia materna, Hannah Lumb, após a morte de sua mãe. Crítica: Cranford é considerada uma das obras mais significativas e representativas de Gaskell. O trabalho foi extremamente elogiado pelos leitores do mundo inteiro, e por vários contemporâneos de Gaskell, entre eles a autora Charlotte Brontë que o descreveu como "gráfico, conciso, penetrante e perspicaz. De fato, os críticos mais modernos têm insistido que o romance realista contém ainda um ar irônico, quase um elemento subversivo. Os críticos também elogiaram a caracterização de Gaskell em Miss Matty, que dizem ser uma das suas mais notáveis criações literárias. 
Cranford é uma cidade interiorana fictícia que é habitada em sua maioria por mulheres, maior parte viúvas e solteironas. Os homens praticamente inexistem, ou morreram, o trabalham o dia todo na vizinhança. O livro é escrito em formato de novela e narrado por Mary Smith, que nos conta todos os acontecimentos com uma riqueza maravilhosa.

O livro conta como é a vida nessa cidade, quase sempre tranquila e pacata, e seu foco central são as chamadas "Amazonas", que são senhoras e pobres que lutam para ter uma boa imagem diante da aristocracia. As senhoras se esforçam para economizar sempre, com suas rendas limitadas, por tal motivo luxos e riquezas eram considerados vulgaridade, portanto cada morador novo só era aceito se não cometesse a vulgaridade de ter dinheiro. Os moradores de Cranford eram que ditavam suas modas, não se importavam com os vestidos velhos, porém as toucas e chapéus eram sempre novos, além de ser cheia de normas e regras que eram inadmissíveis que fossem quebradas.

A história se inicia com a chegada em Cranford do Capitão Brown e suas filhas, as Misses Browns e Jessie Brown. Mis Brown estava muito adoentada e Jessie Brown era quem cuidava dela e de seu pai. A chegada do Capitão trouxe alvoroço na cidade, era um homem estranho e que tinha um gosto literário que incomodava a autoritária Miss Deborah Jenkyns. Até que o Capitão caiu as graças de todos da cidade, menos de Miss Jenkyns que era firme em suas opiniões  


Em certo ponto da leitura o foco recai sobre a simpática Miss Matty Jenkyns, que é acompanhada de perto pela narradora Mary Smith. Miss Matty é a irmã mais nova de Miss Deborah, uma senhora solteirona muito recatada que se esforça bastante para viver dignamente, que tem bastante respeito da população por ser filha do falecido pároco. Conhecemos a história de sua família, como seus pais se conheceram, sobre a sua irmã e seu irmão Peter, que era um grande pregador de peças e a anos não se viam. Conhecemos também sua falida história de amor, que nunca teve uma real história, e acompanhamos como isso é um fardo doloroso para ela. Começamos a nos apegar a senhora de bom coração e eu particularmente achei divertido seus pudores totalmente sem sentidos para nossa época. 

Até que Mis Matty perde todo seu dinheiro que fora aplicado em um banco que acabara de falir. A senhora resolve cortar custos, o que era mais sensato a se fazer, mas é aconselhada por Mary Smith a abrir uma loja para vender chás e doces as crianças, porém tudo fora pensado meticulosamente para não tornar o ato de lucrar algo vulgar e grosseiro. 

É impossível não se afeiçoar a Mis Matty, com seu jeito meigo e carinhoso somos levados a adora-lá tanto quando os moradores de Cranford a adoram. A senhora possui uma bondade e generosidade genuína, se tornando um exemplo de humildade, caridade e respeito.


Cranford é um livro de linguagem clássica inglesa, porém muito gostoso de se ler. Nos divertimos muito com os costumes e regras impostos na cidade, chegando a beirar o absurdo, com uma ironia encantadora. Aaaaah, e eu não poderia deixar de citar a edição linda da Pedrazul Editora, que conta com uma capa maravilhosa e repleta de ilustrações originais de Hugh Thomson que tonam a leitura muito mais agradável, uma verdadeira obra de arte.

De história bem-humorada e comovente, Cranford é perfeito para quem quer viajar no tempo para uma cidadezinha interiorana. 
Suzane Cruz
Suzane Cruz, 23 anos, baiana que mora na Cidade Maravilhosa. Potterhead, bailarina e formada em Design de Interiores. Andou vivendo o que lê e precisou de companhia.
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2 comentários:

  1. Nossa que interessante não conhecia o livro, mas lendo sua resenha fiquei curiosa e ansiosa para acompanhar a vida desses personagens. Lembrei das história da Jane Austen e dos romances de época tão amados por mim. Claro que percebi que o ritmo da narrativa é mais lento, mas nem por isso perde seu encanto. Enfim amei a dica. Parabéns pela leitura!!!

    Leituras, vida e paixões!!!

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    1. Então, nunca li Jane Austen mas já ouvi muito falarem que o livro lembra a narrativa dela. Leia sim, você vai adorar <3 Obrigada por sua visita e comentário <3

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