[Resenha] A Intrusa - Júlia Lopes de Almeida

03 agosto 2016
Editora: Pedrazul
Gênero: Romance / Literatura Brasileira
Páginas: 232
Classificação:
Sinopse: Ele nunca a viu, mas se apaixonou por sua alma! O século XIX caminhava para o fim, o Rio de Janeiro vivia o auge da cultura cosmopolita, a Belle Époque, marcada por profundas transformações culturais que se traduziam em novos modos de pensar e viver o cotidiano. Em meio à aristocracia carioca um rico advogado, viúvo, mas ainda jovem e atraente, era perseguido por mães casamenteiras que desejavam ter um genro rico e influente. Mas ele se esquivava resoluto, decidido a manter sua viuvez. Do casamento com a filha de um barão – para quem ele fizera uma promessa no seu leito de morte de nunca mais voltar a se casar –, restou uma filha, uma garota mimada e sem modos, criada pelos avós maternos, cuja sogra baronesa fazia-lhe todas as vontades. Infeliz pela má educação da menina, ludibriado por um escravo que usava as suas roupas, fumava os seus charutos, bebia fartamente de sua adega e ainda inflacionava as contas da casa, ele decide contratar uma governanta. Desconsiderando todas as críticas por parte dos amigos e da sogra ciumenta, ele pede ajuda ao padre Assunção, seu amigo de infância, para o qual impõe uma única condição: que ele jamais visse a governanta. Atendendo ao anúncio do jornal, aparece Alice Galba que, curiosamente, aceita a estranha condição: quando o advogado entrava pelo portão do casarão, Alice se escondia. Dela ele apenas sentia o cheiro e sua boa influência pela casa e na educação de sua filha. Suas roupas agora estavam impecáveis, a mesa sempre bem posta e com flores, a comida gostosa, os móveis reformados, de forma que ele começou a desejar ansiosamente voltar para sua agora agradável moradia. Vez ou outra ele encontrava um livro que, na pressa de fugir, fora esquecido aberto sobre uma poltrona e, com o passar dos meses, ele passou a notar a doce presença de sua alma pelos cômodos da casa. Alma que ele já ansiava ver o rosto, mas não podia. 
A Intrusa conta uma história situada no Rio de Janeiro no final do século XIX, com todos os detalhes culturais e suas transformações, logo após a instauração da república no país.

Conhecemos o advogado Argemiro, um viúvo que mesmo após anos do falecimento de sua esposa, ainda é um apaixonado incorrigível. Muitos de seus amigos o aconselham a se entregar a um novo amor, mas Argemiro não tem interesse nenhum em ninguém, seu coração ainda é preso a sua amada falecida, e ele honra a promessa que fez em seu leito de morte de ser fiel e nunca se casar novamente.


O viúvo tem uma filha, que mora com seus avós na intenção de se tornar uma verdadeira dama, já que a casa de Argemiro não tinha nenhuma mulher para colocar tudo e todos em perfeita ordem e era cuidada por empregados folgados.

Só que todas as vezes que Argemiro iria visitar sua filha, reparava que seu comportamento nada era de uma dama, e sim de uma criança baderneira e sem interesse nenhum em estudos. Então Argemiro resolve contratar uma governanta na intenção de educar sua filha e colocar a casa em ordem, porém Argemiro só tinha um única exigência, não queria vê-la dentro de casa.


E assim aconteceu, todas as vezes que Argemiro chegava, Alice Galba dava um jeito de sumir de sua vista. O viúvo nunca via sua governanta, mas passou a sentir sua presença pela casa, tanto na mudança radical de comportamento de sua filha, quanto na organização do lar. Tudo estava diferente, o aroma do ambiente, a mesa bonita e farta, as contar em ordem, chegava até sobrar dinheiro no final do mês.

"É extraordinário. Desde que esta mulher entrou em minha casa eu sou outro homem, muito mais tranquilo e muito mais feliz. Nunca a vejo, mas a sinto; sua alma de moça enche estas salas vazias de juventude e de alegria."

Como era de se imaginar, não demora muito para tais cuidados da senhora Alice estar correndo pela cidade, entre eles seus amigos, o padre Assunção grande amigo da família, a senhora Pedrosa, que não desiste de tornar-lo seu genro e seus sogros. Todos brincam com a possibilidade de Argemiro se apaixonar, mas quem não está nada feliz com isso é sua sogra.

A sogra de Argemiro é uma senhora muito ciumenta que não suporta a ideia de outra mulher tomar o lugar de sua falecida filha na casa. Ela fica indignada com toda a situação e se revolta ao perceber a satisfação de seu genro e sua neta com a moça, e para piorar a situação, ainda tem suas ideias envenenada pelo empregado de Argemiro, Feliciano, que nada gostou de perder seus privilégios.


Inflamada pelas ideias de sua filha perder a posição na casa e no coração de Argemiro, a sogra passa a tramar para se livrar da intrusa governanta. Será que ela irá conseguir?

A autora, Júlia, nasceu no Rio de Janeiro em 1862 e morreu em 1934. Começou sua carreira na imprensa em São Paulo, numa época em que a participação da mulher na vida intelectual era rara e incomum. Após algum tempo e algumas publicações em jornais e de se lançar como escritora em Lisboa, ela volta para o Brasil. A cidade do Rio de Janeiro, capital federal, em período de turbulência política e econômica, é o cenário mais amplo de suas ficções assim como o ambiente privado das famílias burguesas serve às tramas e à construção de seus personagens, é o caso de A Intrusa, publicado inicialmente em capítulos no Jornal do Commercio (1905) e em livro três anos depois, é um exemplo de plena realização literária.


O livro é muito gostoso de ler, e ficou ainda mais agradável porque a edição da Editora Pedrazul teve algumas adaptações para maior entendimento dos leitores. É um livro do qual podemos entender como que era o modo de vida dos cariocas naquela época, e é muito legal ver descrito alguns lugares do qual conhecemos, nos faz viajar para épocas distantes e vivenciar de verdade. O livro tem características de romances ingleses mas com uma pitada marcante brasileira. É uma leitura leve que eu recomendo bastante,

Suzane Cruz
Suzane Cruz, 23 anos, baiana que mora na Cidade Maravilhosa. Potterhead, bailarina e formada em Design de Interiores. Andou vivendo o que lê e precisou de companhia.
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4 comentários:

  1. Não conhecia esse ainda !
    Achei bastante interessante :)
    Ótima resenha.

    www.chaeamor.com

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    1. Ah que delícia saber que gostou. Muito obrigada <3

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  2. Não conhecia este livro, mas agora fiquei muito curiosa por ler, esperarei um promoção e tentarei comprar este livro ele parece ser demais, pela sua resenha já gostei.
    https://iinspirandose.wordpress.com/

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    1. Issooooo, espere sim e não deixe de comprar, é muito gostoso de ler!! Fico feliz que tenha gostado, obrigada <3

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