[Resenha] Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi - Joachim Meyerhoff

24 agosto 2016
Editora: Valentina
Gênero: Ficção
Páginas: 352
Classificação: 
Sinopse: Isso é normal? Crescer entre centenas de pessoas com deficiência física e mental, como o filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens? Nosso pequeno herói não conhece outra realidade - e até gosta muito da que conhece. O pai dirige uma instituição com mais de 1.200 pacientes, ausenta-se dentro da própria casa quando se senta em sua poltrona para ler. A mãe organiza o dia a dia, mas se queixa de seu papel. Os irmãos se dedicam com afinco a seus hobbies, mas para ele só reservam maldades. E ele próprio tem dificuldade com as letras e sempre é tomado por uma grande ira. Sente-se feliz quando cavalga pelo terreno da instituição sobre os ombros de um interno gigantesco, tocador de sinos.
Joachim Meyerhoff narra com afeto e graça a vida de uma família extraordinária em um lugar igualmente extraordinário. E a de um pai que, na teoria, é brilhante, mas falha na prática. Afinal, quem mais conseguiria, depois de se propor a intensificar a prática de exercícios físicos ao completar 40 anos, distender um ligamento e nunca mais tornar a calçar o caro par de tênis? Ou então, em meio à calmaria, ver-se em perigo no mar e ainda por cima derrubar o filho na água? O núcleo incandescente do romance é composto pela morte, pela perda do que já não pode ser recuperado, pela saudade que fica - e pela lembrança que, por sorte, produz histórias inconcebivelmente plenas, vivas e engraçadas.

Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi é um livro complexo, e ao mesmo tempo simples demais. Quando começamos a leitura de um livro logo buscamos por histórias fantasiosas, fora da nossa zona de conforto, extremamente incomuns.., e quando nos deparamos com a realidade, com histórias familiares, que poderiam ser nossas ou de alguém conhecido, parece que o cérebro não assimila direito. Você fica meio zonza, confusa e achando que tem algo de errado, porque afinal você lê algo fora da sua caixinha. E esse livro é complexo porque conta uma história que pode ser sua, mas que não é por inúmeros detalhes.


O livro é narrado pelo filho mais novo de um médico e diretor de um hospital psiquiátrico. Joachim e sua família vivem no terreno do hospital, e ele cresceu convivendo na linha tênue entre a loucura e a sanidade.

A família de Joachim é aparentemente normal, mas olhada de perto e com mais atenção percebemos alguns comportamentos inusitados. O personagem narra como é seu dia a dia, as idas a escola, a relação com seus irmãos, que sempre o importunavam, já que ele é o caçula, como ele admira seu pai e como sua mãe era uma mulher tranquila e do bem, e como possuía um amor de irmão por sua cadela.


Somos apresentados a uma família que convive diariamente com a loucura, com comportamentos distantes do nosso cotidiano, afinal não é comum dormir com gritos vindo de todas as alas de um hospital psiquiátrico e tornar isso sua canção de ninar. Mas essa é sua realidade, essa é sua normalidade, receber os pacientes em sua casa como uma visita é tão natural para essa família que nos proíbe de encontrar estranhezas em seu modo de viver.

Não se tem muito a falar sobre o livro, é apenas a vida de uma família nada comum, que vivem em situações inusitadas mas mesmo assim é apenas parte do seu dia a dia. Você cria uma expectativa de que vá acontecer algo extraordinário, uma reviravolta emocionante e que vá da sentido a história toda, mas ela acaba e te faz exclamar: "QUE LIVRO LOUCO!!" E então agora eu penso: "Mas será que não é exatamente essa a intenção? Ser louco?!" 


O livro é daquele tipo que você termina confusa, e pensa em mil teorias. Eu acabei meio sedenta por respostas e fui procurar algumas resenhas para tentar entender, e percebi que as opiniões são bem diversas. Mas a conclusão que eu consegui tirar desse livro foi, O QUE É LOUCURA? Joachim e sua família vivem uma realidade diferente da minha, e talvez da maioria de nós, mas isso é loucura? Ser diferente é errado? É louco? A vida deles é tão comum pra eles que talvez a nossa vida seja a louca aos olhos deles. Loucura e sanidade é algo bem indefinido, assim como normal e anormal. É como perguntar para alguém que já nasceu com deficiência visual como é não enxergar.. Não faz sentido nenhum tal pergunta, afinal aquela é a sua realidade, é sua zona comum, sua normalidade. Conseguem entender ou andei viajando demais com esse livro? hihi


O livro é ótimo pra quem gosta de refletir sobre a vida, é perfeito para quem gosta de criar teorias, e é um prato cheio para quebrar preconceitos sobre o comportamento humano! E eu deixo aqui pra vocês a questão principal desse livro: "A loucura está do lado de dentro ou de fora?"
Suzane Cruz
Suzane Cruz, 23 anos, baiana que mora na Cidade Maravilhosa. Potterhead, bailarina e formada em Design de Interiores. Andou vivendo o que lê e precisou de companhia.
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2 comentários:

  1. Oi Thamires,

    Nunca tinha ouvido falar sobre este livro, mas o título dele me chamou a atenção quando você postou no grupo. Lendo sua resenha, fiquei muito interessada nele, e adicionei na minha listinha de to-read. Obrigada pela indicação!

    Um beijo,
    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

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    Respostas
    1. É um livro muito chamativo e intrigante, acho que vai gostar. Obrigada pela visita, beijos enormes ❤️

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