[Resenha] A Cor da Coragem - Julian Kulski

08 março 2017

Editora: Valentina
Gênero: Não-ficção
Páginas: 416
Classificação:
Sinopse: "Afinal, o que fica para um homem, além da sua honra… e da coragem de viver por ela?" Julian Kulski. Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha invade a Polônia. É o início da Segunda Guerra Mundial. Em poucos dias, Varsóvia se rende aos alemães, soldados poloneses depõem suas armas, a cidade já é um amontoado de escombros. Julian Kulski é um menino polonês de apenas 10 anos de idade. Filho do vice-prefeito de Varsóvia, escoteiro ousado e entusiástico, ele tem a firme convicção de que deverá lutar contra o Invasor. A cor da coragem é o diário de Julian Kulski, a história de seu amadurecimento durante os cinco anos da brutal ocupação alemã.
Sempre gostei de história por que além de retratar o nosso passado, são fatos. Fatos que podem ser analisados de acordo com a sua época e a sociedade em que ela é estudada. Ultimamente tenho lido muitos livros de não-ficção sobre a história do mundo em geral e tenho gostado bastante do que tenho visto. A cor da Coragem não ficou para trás, como eu já havia lido uma outra publicação da Editora Valentina de não ficção: A História do Mundo Para Quem Tem Pressa, eu decidi apostar mas uma vez e ler outro livro do gênero. Recentemente eu li um livro sobre a primeira guerra mundial e por que não, já que surgiu a oportunidade de ler um sobre a Segunda Guerra.
"Não tenho a menor dúvida de que a Polônia vai vencer a guerra, mas tenho muito medo de que ela acabe sem que eu possa participar."


Depois de cinco longos anos Julian se vê livre do passado de dor e sofrimento, mas as memórias estão vivas em sua mente como se as vivenciassem diariamente, e  foi assim que o seu diário pós-guerra foi escrito. Mas esse livro diferentes dos outros não conta apenas os fatos passados  em 1939, ele transmite para você todo o sentimento e medo de estar vivendo em uma cidade cercada de terror. Muito além de um livro de história, A cor da Coragem é um diário de um sobrevivente, uma pessoa que conheceu e entendeu o que uma guerra significava quando ainda era criança e com o passar dos anos cresceu com um sentimento de que algo deveria ser feito, e ele foi atrás com a sua vida e seu ímpeto.
"A Polônia não estará perdida enquanto vivermos."

Assim como é lembrado no próprio livro, ele lembra bastante o Diário de Ane Frank por ser um diário de dias de terror. Mas a diferença é que Julian Kulski retrata em seu diário vivências da guerra na sua forma mas crua, nas ruas devastadas, nas batalhas travadas e na prisão em que esteve. Ele estava nas ruas enquanto tudo acontecia, ele assistia e fazia tudo que podia para manter-se a postos para um levante.
"A medida da coragem depende do grau em que tenha sido um ato de vontade consciente. A história deve distinguir os atos acidentais de bravura dos que expressam as necessidades íntimas do homem."


Um sobrevivente de um dos períodos mas sombrios da história recente. Julian assistiu todos os horrores que uma guerra pode trazer a uma nação e viu a sua amada Varsóvia (que era independente) ser tomada pela brutal invasão Alemã e amigos e familiares serem mortos.  Assim como vivenciar pessoas serem segregadas em guetos para morrerem de fome, câmara de gás e fuzilamentos de crianças em plena luz do dia, tudo isso sob um discurso distorcido.
"Não posso dizer que, de fato, eu queria morrer, mas agora entendo que há épocas em que devemos estar preparados para isso."


Você lê e vê os dias passando um após o outro e atrocidades cada vez piores acorrendo a cada dia, como se não houvesse esperança, cinco anos de tortura e humilhação. É um livro denso e eu não consegui lê-lo por horas a fio, chega um hora que você precisa dar um basta para respirar um pouco, é muita coisa para digerir e as imagens a cada página faz tudo parecer mais realístico. Rico em detalhes e com vários mapas que ajudam o leitor a se situar e fazer a experiência muito mais viva em nossas mentes. O terror e o medo são perceptíveis na narrativa, assim como a obstinação e coragem daqueles que lutaram e deram suas vidas para libertar o seu país. 
A Cor da Coragem é um lembrete que a pouco tempo atrás a humanidade fora manchada e a nossa história tem um passado negro que não devemos esquecer. Como eu sempre digo: Quem esquece a sua história está fadado a repeti-la.
"Talvez venhamos todos a morrer na luta, mas jamais nos renderemos."


Uma novidade para mim foram os Extras Digitais a cada capítulo! São vídeos históricos que complementam a narrativa e podem ser acessados online ou pelo QR CODE do livro.
"Eu tive a sensação, é não foi a primeira vez, de ser menos que humano."
Thamires Vicente
Thamires Vicente, carioca de 22 anos. "PALAVRAS são capazes de causar grandes sofrimentos e por vezes remediá-los"
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16 comentários:

  1. Olá, tudo bem?

    Essa é uma leitura que tem que se estar muito bem para enfrentar. Quando vi a sinopse fiquei encantada, porque amo História, sua resenha me deu mais vontade ainda de conhecer, mas eu não estou em um momento em que vou conseguir ler com o distanciamento necessário para não entrar em depressão.

    Bjsss

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    1. Oi oi, tudo bem! Entendo quando diz que não é o momento, muitas vezes a leitura depende do nosso humor e estado de espírito, por horas a gente não quer nem ver um romance na nossa frente e outras não está com estômago para ler um livro denso como esse. Espero que em breve você tenha a oportunidade de lê-lo e aproveitar cada página nesse passeio pela história.

      Beijos
      Obrigada por comentar.

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  2. Olá
    Eu adoro livros com um fundo histórico, e durante muito tempo fui completamente fascinada pela 2GG, mas nunca tinha lido um livro com o ponto de vista da resistência armada agora que eu conheço este livro já estou anotando a dica.

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    1. Então certamente esse é um livro que você vai gostar de ler. Bastante detalhado, e apesar de ser as lembranças de um adolescente ele era bastante responsável para a época e mostrava uma visão bem realista do momento.

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  3. Oiii!

    Que livro lindo! Não conhecia e fiquei muito animada para conhecer tanto o enredo quanto essa edição.
    COnhecer a história por outros olhos me fascina! ótima resenha!

    Beijinhos,

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    1. Oie!
      Obrigada, espero que tenha a oportunidade de lê-lo.

      Beijos.

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  4. Se ele livro for parecido com "O Diário de Anne Frank", certo que vou querer ler esse. Na realidade, não li nem um e nem outro :( mas ambos estarão na minha lista, porque como você, ando interessada em livros assim.

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    1. Já li parte de O diário de Anne Frank, tenho que termina-lo um dia. O legal de ler esses dois livros e que são do mesmo período histórico mas de pontos de vista e países diferentes e o tom de cada relato é singular em cada um dele.

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  5. oie
    ótima resenha. Gostei tb da produção das fotos.
    gosto de historias relacionadas a segunda guerra.
    dica anotada
    bjs

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  6. Eu como vc tb gosto de histórias que remetem ao passado.
    A segunda guerra mundial foi algo horrivel, que mudou tanto a vida de todos daquela epoca e até hoje sentimos as sequelas.
    Não conhecia esse diário e fiquei bem curiosa para ver o que relata e seus sentimentos.
    Depois vou conferir o livro na íntegra.
    Beijos.

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  7. Olá, tudo bem? Gosto bastante de história que passaram durante as guerras mundiais porque nos dá um choque de realidade. Não conhecia o livro e gostei de saber que se parece com o Diário de Anne Frank e parece ser uma edição bonita. Gostei!
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com

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    1. Oi oi, tudo bem. A edição foi bem pensada e bem executada neste exemplar e as fotos fazem tudo parece mais vívido na nossa mente.
      Obrigada pela visita.

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  8. Nossa faz tempo que não seio um livro de não-ficção, gosto muito de livros que abordam a Segunda e primeira guerra mundial, fiquei curiosa para fazer a leitura deste.
    Meninas estou babando aqui nessas fotos lindas que você fez, ameii.

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    1. Obrigada. Estou lendo muito do gênero esse ano e este é um bom livro para quem quer entender mais sobre esse período histórico não só pelos relatos de um historiador mais sim de um sobrevivente.

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